"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

14 de maio de 2010

Humanidade

Preguiça.
Saio de casa e um tímido raio de sol rompe a negra nuvem que o teima em esconder, dando-me os bons dias. Sorrio levemente pois ainda me sinto a dormir.
Caminho meio perdida e reparo nos inúmeros carros que passam por mim numa azáfama doida. Assimilo-os a formigas na sua labuta diária, formigas grandes, de metal que correm para os seus formigueiros. Não vejo as pessoas, apenas os carros. A esta hora até podiam ser conduzidos por marcianos que não iria reparar.
No meio da cidade o caos instala-se. Decido parar e fechar os olhos por uns segundos e, de repente, encontro-me no meio de uma guerra! Oiço crianças a chorar, homens e mulheres a gritar, carros a passar, a travar, a buzinar, sons irritantes a vibrar de um telemóvel qualquer. Cheira-me a óleo queimado, a fumo, a café torrado, a suor retardado, a mágoas escondidas, a um esgoto a transbordar. Tenho medo de abrir os olhos e estar rodeada de corpos sem vida, de estar a pisar uma poça de sangue e de ter um homem com uma arma apontada a mim. Forço-me a voltar à realidade. Abro os olhos. Tudo está como antes. A azáfama continua, as pessoas correm, atropelam-se para chegar ao seu destino. Não ligam, não querem saber de mais nada nem ninguém.
Oiço uma criança perguntar à mãe "o que está aquela rapariga a fazer ali parada e de olhos fechados?". Sinto-me um pouco constrangida, e a mãe responde "Nada! É maluquinha, não olhes!". Olho para o menino, tão curioso, e sorrio enquanto este é arrastado por um braço pela mãe. Quem me dera ser criança outra vez para reparar nas coisas, para olhar para algo e sentir que é a primeira vez que as vejo.
Neste instante sinto-me como um fantasma que vê a Humanidade passar sem lhe conseguir tocar. Acredito na sua ruptura. Acredito que enquanto não abrirmos os olhos, caminhamos para o fim. Ninguém liga, não querem saber. E assim se passam os dias por aqui.
Volto para casa e enquanto abro a porta penso "amanhã...sim, amanhã será um dia melhor!", sorrio e fecho a porta...
Até Amanhã.

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