Deixei de escrever. Um dia simplesmente acordei e pensei "louca criança que perdes as tuas horas a rabiscar folhas de papel com tolices!". Então, deixei de escrever...
A vida já não me parecia motivo para divagar, tudo corria inesperadamente calmo, sem imprevistos ou percalços. Um dia era apenas mais um dia. A loucura, a revolução sempre tão latente em mim, foi ficando cada vez mais pacífica. Até que nesse dia, enroscou-se sobre si mesma e adormeceu.
Nada de novo... nada a declarar... a banalidade não nos dá ânsias de desabafar. E deixei de escrever. Loucura? Loucura é o que se passa na Assembleia da República e escrever sobre política...what's the point?
Lentamente esqueci a beleza das palavras, o poder que têm, o formigueiro que se sente na ponta dos dedos quando o nosso cérebro se encontra em embulição! Tornei-me uma capa sem conteúdo...
Hoje...Hoje acordei e pensei "oh, triste! No que me tornei?" e acabei revoltada. A minha mente fervilhou de uma maneira atróz, tive vontade de chorar, tive vontade de rir, tive vontade de gritar! E foi tão bom...
Bem vinda loucura que durante tanto tempo dormiste! Senti a tua falta!
As minha mãos começaram a transpirar e uma quase corrente eléctrica correu pelos meus dedos...voltei a escrever! Voltei a ser EU!
Eis a preciosa lição que tirei desta hibernação inconsciente...por mais que nos acomodemos ao mundo, a tudo o que nos rodeia, NUNCA nos podemos perder de nós próprios. Não podemos NUNCA deixar adormecer a nossa alma, a essência de cada ser, o idiotismo e a loucura que temos no interior.
Hoje voltei a escrever...e espero nunca mais parar!
0 comentários:
Enviar um comentário