"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

29 de junho de 2015

Os livros da minha vida


Olá, eu sou a Andreia e sou uma livrólica...

Desde que tenho memória de mim própria que tenho um fascínio pela palavra escrita. Era fantástico ver como as pessoas olhavam para uma folha cheia de gatafunhos e conseguiam decifrar o que lá dizia. Os gatafunhos eram palavras! Como não percebia aqueles gatafunhos, criei o meu próprio abecedário e escrevia em todo o lado (não faço ideia o quê). Mais tarde aprendi a ler e a escrever e, até hoje, penso que tenha sido a minha maior conquista (pelo menos a mais enriquecedora foi com toda a certeza)!
Os livros em minha casa nunca foram abundantes, principalmente devido aos preços dos mesmos, mas não me posso queixar. Sempre que surgiam ofertas em revistas ou jornais, lá fazia a choradinha e a minha mãe acabava por mos comprar. Irei sempre agradecer-lhe por isso!

Iniciei-me neste mundo com livros da Disney e contos de fada, BD's do Tio Patinhas e com a fantástica colecção dos Arrepios. Quando os contos de fadas já não convenciam e as BD's e os Arrepios já estavam mais que batidos, aventurei-me nas colecções da Círculo de Leitores que decoravam o móvel da sala. Foi assim que conheci a poesia com Almeida Garrett e os clássicos com Camilo Castelo Branco e a minha mente fervilhou com a novidade...

Numa altura em que a internet ainda era coisa estranha e quase inexistente, comecei a frequentar a biblioteca da minha terra para procurar mais "novidades". Descobri Shakespeare e delirei, Florbela Espanca e o meu coração ficou apertado, Fernando Pessoa, David Mourão Ferreira, Almada Negreiros e tantos outros que me fizeram sonhar com a suas palavras profundas e rimadas. Eu própria comecei a escrever numa tentativa vã de me equiparar aos meus ídolos. Ah, a poesia...

Numa das minhas idas à biblioteca encontrei um livro perdido. Simplesmente não deveria estar onde estava. E foi assim que conheci Stephen King, o rei do horror, e já não o consegui largar. "O Retrato de Rose Madder" era o livro e deu-me a conhecer um mundo que apenas tinha "espreitado", muito de relance, com os Arrepios. Mais do género se seguiram e a preferência ficou. 

E eis que surgem os livros oferecidos pela revista Sábado, dos quais adquiri apenas dois: O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco e O Historiador, de Elizabeth Kostova. Molda-se a mente à vontade da história, não gostei de Umberto Eco e adorei O Historiador. Dois livros apenas e deram-me tanto! Deles vieram a minha primeira crítica e o delinear do meu género de leitura de eleição.

"Mas, oh, o que é isto que me ofereceram? Parece-me história para crianças e eu já passei essa fase. Hum, O Principezinho...". A minha primeira lágrima causada por uma história. Ainda hoje tenho um carinho muito especial por este livro e, de vez em quando, ainda pego nele para ler algumas passagens. Está já bastante velhinho, de ter sido tão manuseado, mas irei guardá-lo para sempre.

Mais tarde surgiram os clássicos lidos por "obrigação" durante a escola. No entanto, orgulho-me de ser uma das poucas pessoas que leu Os Maias na íntegra, sem batotas de resumos dos livros amarelos e também, sem saber bem como, ter decorado a primeira estrofe d'Os Lusíadas...

Algures pelo meio, e sem qualquer associação, encontrei na estante do meu tio um livro que me chamou à atenção. Não fazia ideia do que se tratava mas o título era interessante e apelou à minha curiosidade. O Perfume - História de um Assassino, de Patrick Süskind. Perfumes e assassinos, hum, ora aí está uma coisa estranha. Trouxe-o emprestado e simplesmente tornou-se num dos melhores livros que li até hoje! A minha primeira leitura "à toa", baseada unicamente pela capa ou, neste caso específico, pelo título. Desde aqui que me fio cegamente nos meus impulsos de agarrar algum livro e levá-lo para casa. Até hoje não me falharam.

Um dia uma amiga ofereceu-me um exemplar do que considerava o livro da sua vida. Rejubilei com o acto tão carinhoso mas odiei o livro... e voltei a odiá-lo quando tentei pegar nele outra vez... e mais uma vez, só mesmo para confirmar. Nicholas Sparks e O Diário da Nossa Paixão. O primeiro autor na minha lista negra, ou como quem diz, o meu odiozinho de estimação.

Durante os meus tempos de universidade as leituras continuaram mas, como a minha mente andou meio perdida em tecniquices nessa altura, de pouco me lembro. Ficou apenas a lembrança da tetralogia de Stephenie Meyer, a infame saga do Crepúsculo. Adorei cada minuto que perdi a lê-los e não tenho vergonha de o admitir! A minha primeira tetralogia e a primeira incursão ao mundo YA e do fantástico.

E dos tempos de escola até hoje foi um pulinho. Muitos livros me passaram pelas mãos, outros ficaram debaixo de olho, muitas histórias ainda trago comigo, outras ficaram guardadas na memória, outras houve que passaram ao largo, mas todas as palavras lidas moldaram-me um pouco e fizeram com que me sentisse mais completa. Muitas vezes ajudaram-me a passar o tempo, a esquecer problemas, a aprender e a experimentar coisas novas, a viajar, a crescer. A minha biblioteca pessoal está em constante mudança, as prateleiras começam a escassear e ando sempre a tentar encontrar ideias criativas para conseguir arrumar tudo, mas não imaginam o meu orgulho quando alguém vem a minha casa e perde uns minutos a olhar para ela...

Pensava que a pancada dos livros esmorecesse com o passar do tempo mas aconteceu completamente o contrário, e não tenho qualquer problema com isso. Sou livrólica assumida e não tenho intenções de parar!

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