"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

16 de julho de 2015

As coisas que eu me lembro...

Há coisas que realmente...

Andava aqui em "arrumações" no blog, quando reparei nesta app com as minhas leituras actuais. Sem qualquer tipo de ligação, nem de autor, nem de género, nem de tamanho, nem de tom e escrita - nada - e escolhidos meramente ao acaso, ou como quem diz, apeteceu-me, estes dois títulos acabaram por se juntar e o resultado não deixa de ser engraçado.
"Inferno" - "A Segunda Vinda de Cristo à Terra" - Tchan, Tchan, Tchaaannnnn... Quase que se podia criar uma história totalmente nova apenas com os títulos e as capas (imaginação para que te quero!). E porque não?


Ano: 2015
Localização: Veneza, Itália
O dia amanhece cinzento. As gondolas oscilam ao sabor da ondulação. Estamos a meio de Julho mas corre um brisa fria, aproveitada alegremente pelos primeiros turistas da manhã. Pouco a pouco as ruas estreitas e os canais começam a ganhar vida com a crescente multidão de sandálias com meias e calções caqui.
Um som abafado surge in stereo, um som de fundo que não se sabe bem de onde vem. O gondoleiro olha para a barriga do turista americano sentado à sua frente e sorri com malícia, "Oh coitado, aquilo está mau! Boa sorte para encontrar um WC quando sair daqui". Enquanto vai distraído a pensar nas várias maneiras do americano se tramar com tamanha dor de barriga, o ruído vai aumentando, um crescendo que se aproxima vindo das profundezas. Surgem ondas nas águas dos canais que balançam as gondolas mais fortemente do que o habitual. Os turistas continuam mesmerizados com tudo o que vêem enquanto que os locais começam a aperceber-se de algo errado mas, quando acontece, nada podem fazer.
Um misto de vento, destroços e água fustiga tudo à sua volta, nada é poupado. E, do meio do rio, envolto numa aura de vapor, surge uma criatura enorme, cinzenta, com uma face velha e medonha, onde se podem ver dois olhos faiscantes, um nariz tão aquilino que parecia estar prestes a quebrar e a separar-se do resto da cara, e uma barba longa, longa, de pêlos emaranhados numa espécie de rasta descontrolada.
O som de uma gargalhada cavernosa ecoa por todo o lado e as batidas da "Ace of Spades", dos Motorhead, emanam da criatura.
- EU sou Coraçãozinho de Satã! Verguem-se perante mim pois sou vosso mestre eterno, dono do Inferno e dono de vós! Mmmwwwuuuhhahahahaha...
Nas praças circundantes, aquelas que conseguiram resistir à chegada de tamanha personagem, aglomeram-se pessoas incrédulas e receosas mas, ao mesmo tempo, demasiado curiosas. Todas observam boquiabertas aquele ser horrendo. Em alguns pontos surgem pessoas que, em pânico, começam a correr gritando "O Diabo saiu da terra para nos vir buscar!! Vamos todos para o Inferno!!". Nada podem fazer senão rezar e nunca a expressão "só se lembram de Sta. Bárbara quando faz trovões" fez tanto sentido.
Coraçãozinho de Satã, Satã para os amigos, Diabo para os haters na Terra, estava tão aborrecido sem nada para fazer em casa, que decidiu ir dar um passeio. Ao passar pelos nove círculos do Inferno, passeio de que tanto gostava, apercebeu-se que precisava de ver coisas novas, de espairecer um bocado. E qual o melhor destino de férias para o Diabo? Qual o sítio onde pode fazer todas as trafulhices que queira sem haver grandes repercussões e onde consegue encontrar pessoal mais malicioso do que ele e que alinham em tudo o que ele diz? Ora nem mais, Terra!
- Vamos lá ver o que aqueles malucos andaram a fazer nos últimos séculos. - E com esta partiu, de malas e bagagens direitinho a Veneza, com intenções de depois rumar até ao Vaticano.
Chegado, então, ao destino, a primeira coisa em que reparou foi em pequenos focos de luz reluzindo incessantemente, vindos do chão. Ainda ele não imaginava o que as provocava, e já a sua cara estava a ser visualizada por milhões de pessoas no Facebook e no Youtube... Tinha dito duas palavras há 10 segundos atrás e já meio mundo se preparava para o Apocalipse. Oh, as maravilhas da modernidade!
Não conseguiu, porém, dar sequer dois passos. Do céu cinzento e carregado surge um rasgo de luz branca que atravessa as nuvens até ao chão. Uma música de fundo surge, "Flash", dos Queen, enquanto uma figura etérea vai pairando na luz, descendo, descendo.
- Quantas vezes te preciso de dizer que NÃO estás autorizado a vir até aqui? Hum? - soa uma voz.
Por esta altura, já metade da população mundial louvava aos céus pela vinda do Senhor à Terra, 1/4 restante jurava a pés juntos que os aliens estavam a invadir o planeta, trancando-se nos seus bunkers preparados para o Apocalipse zombie (para o efeito, servia perfeitamente), outros tantos choravam, riam, sentavam-se ao computador para partilhar uma última foto no Instagram e alterar o status no Facebook, quiçá aproveitar que as vidas do Candy Crush já recarregaram...
Jesus Cristo, JC para os amigos, estava de férias quando o chamaram com urgência. De chinelos de enfiar no dedo, calções às flores e t-shirt estampada com a frase "Life's a Beach", JC corre até ao escritório onde o metem ao corrente da situação: Satã resolveu violar, novamente, o acordo milenar que o proibia de frequentar a Terra, imposto definitivamente aquando a grande bebedeira de 79 D. C. em que, Satã perdeu de tal forma o norte, que decidiu brincar com bombinhas e rebentou com o Monte Vesúvio. O resto conta a história...

E como isto dava pano para mangas é melhor deixar-me de histórias... por agora, pelo menos! :P

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