"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

19 de setembro de 2015

Book Nerd Problems # 2 (Não necessariamente por esta ordem)

E como hoje é 6ª feira, dia em que as criaturas saem das tocas, trago-vos mais um Book Nerd Problem.






Pois é, se há coisa que me aborrece profundamente é ter um livro na mão e alguma alminha decidir vir meter conversa ou, melhor ainda, juntar-se uma banda filarmónica ou um bando de gralhas nas minhas proximidades no preciso instante em que me sentei confortavelmente, abri o livro e li a primeira frase...

Como apaixonada por livros que sou, ando sempre com um exemplar dentro da mala. Dá-me especial jeito devido às minhas viagens diárias de casa-trabalho-casa nos transportes públicos. Claro que - e se andam de transportes irão reconhecer a situação - é aqui que se junta o maior número de weirdos, gente barulhenta e com falta de civismo por m2. Acham que estou a exagerar? Partilho, então, convosco algumas peripécias no comboio, enquanto com um livro na mão:

- Encontro-me descontraidamente sentada num dos bancos, do lado do corredor, quando uma senhora com uma mala de ombro do tamanho de uma mala de viagem, passa por mim e quase me arranca o livro das mãos tal não é o safanão que me dá com o seu bodybag disfarçado. "ENTÃO?!", digo eu em voz alta, o que valeu o mesmo se eu tivesse acendido uma lanterna na praia... às 10h da manhã... em Julho...
E atenção que esta situação não é inédita de todo! Quase todos os dias levo encontrões de alguém ou quase perco um braço pelo caminho! São coisas que me ultrapassam, mas é isto que temos.

- Estás sentada, a carruagem vai quase vazia e pensas "Aaahh, agora sim posso ler descansada!". Os deuses decidem virar-se contra ti e, na estação seguinte, entra um adolescente da moda, com a mania que percebe alguma coisa de música, com o seu smartphone a pulsar kizomba ou rap manhoso e se senta a 1 metro de ti. Reviras os olhos, respiras fundo (mais, bufas!) como se não houvesse amanhã, olhas directamente para a criatura à espera de conseguir rebentar o telefone/telefonia com o olhar, mas nada resulta. A festa irá seguir-te até à estação imediatamente antes da tua, boa viagem!

- Vais instalada numa carruagem razoavelmente vazia, como quem diz com lugares vazios (ou quase) com fartura e o ambiente está tranquilo. Conseguiste ler uma página do teu querido livro e estás entusiasmada. Eis que o comboio pára numa estação e começas a ouvir um barulho de fundo que gradualmente se intensifica. Levantas os olhos e vês entrar, na ponta oposta onde te encontras, um grupo de 3, 4 ou 5 senhoras na casa dos cinquenta/ sessenta anos e que, terminado o seu dia de trabalho, se juntaram na viagem de regresso a casa. Nada de extraordinário até aqui, não fosse a amena cavaqueira de decibéis elevados que as envolve e que, por arrasto, envolve todos os que se encontram nas redondezas. Mentalmente e com todas as tuas forças cais numa espécie de reza em que vais pedindo "por favor não venham para perto de mim, por favor não venham para perto de mim...". Obviamente, os deuses decidem gozar contigo e mandam as senhoras sentarem-se mesmo ao teu lado. Tentas manter a compostura e baixas os olhos novamente para o livro que de nada vale pois, passados 5 minutos já sabes a vida toda das senhoras (com extensão à sua família próxima e aos vizinhos) e gera-se a confusão: a personagem ainda agora estava na Irlanda a fugir de um assassino mas com as dívidas que tem às finanças mais valia estar quieto; espera... isso não está certo. A filha do assassino é que estava desempregada e o IEFP obrigou-a a fazer um curso de inglês senão cortavam-lhe o subsídio. Nop, também não é isto... A do 1º direito é que anda metida com o tipo que anda atrás do assassino porque os jovens de hoje em dia deviam era andar a pé! O quê?! Bah!! É melhor fechar o livro...

- Vais sentada ao lado de alguém e, no preciso momento em que tiras o teu livro da mala e o abres, esse alguém decide tirar o telemóvel e ligar para uma pessoa com quem já não fala há um ano. Durante toda a viagem (toda a viagem!) vais a ouvir um monólogo que inclui risadas estridentes pelo meio enquanto te esforças para conseguir ler uma mísera frase do teu querido livro.

Mas não só nos transportes se dão casos destes. Oh, não...

Ainda há pouco tempo tive de ir ao centro de saúde. Enquanto esperava no lobby para ser atendida pelo médico (o que geralmente demora uma eternidade), entretive-me a ler. Passado algum tempo, surgiu uma senhora revoltada com as burocracias do sistema de saúde e com as borradas que o seu médico havia feito ao passar um atestado de baixa. E como é que eu sei isto, perguntam vocês? Porque a senhora decidiu sentar-se ao meu lado e desabafar comigo apesar de eu estar com o nariz enterrado num livro. Tentei disfarçar (ah e tal, não é comigo que está a falar), levantei mais o livro para o destacar, olhei para a senhora com ar de "não vê que estou ocupada?", mas a senhora continuou. Porque os meus pais até me deram uma boa educação, coisa que às vezes não dá jeito nenhum, fechei o livro e dei o meu apoio moral à desgraça alheia com um abanar de cabeça solidário e com as efusivas palavras de conforto "pois", "sinceramente", "não há condições", "é verdade". Devo dizer que foi uma longa espera pela minha vez.

E é isto meu amigos. Queres ler, fica em casa ou sujeitas-te a ser incomodada por toda a gente e mais alguma. Se ao menos eu conseguisse deixar o livro em casa...



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