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15 de novembro de 2015

Opinião - "Segredos de Amor e Sangue", de Francisco Moita Flores

Segredos de Amor e Sangue
de Francisco Moita Flores

Edição: 2014
Páginas: 244
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724622453
Categoria: Ficção; Romance Histórico
Quando a força da Paixão e das Letras derrota o maior assassino de todos os tempos: Diogo Alves.
Segredos de Amor e Sangue é um regresso do autor à época em que Diogo Alves, o célebre galego que matava no Aqueduto das Águas Livres, era o grande protagonista do crime em Lisboa.
Em 1997 escreveu o argumento para o filme A Morte de Diogo Alves que venceu o Grande Prémio de Ficção da RTP. Agora, traz o célebre criminoso de volta como pretexto para reconstruir a Lisboa popular dos anos trinta do século XIX, um tempo em que a cidade se despia dos antigos trajes pré-liberais e dava os primeiros passos no Liberalismo emergente. Marcado pela violência e pela pobreza, este romance é uma história de ternura e de paixão, num tempo agreste, onde a força do Amor e das Letras se impõe à voracidade da guerra e do crime, num país que tinha uma população com noventa porcento de analfabetos.
É um romance com histórias apaixonadas, de amor e morte, de fascínio pela descoberta das palavras escritas em português.
Manuel Alcanhões, o narrador, eternamente apaixonado por Isabel, taberneiro em Alfama, testemunha a chegada do Portugal Moderno que vai aprendendo com as lições de um padre miguelista.

Sempre tive curiosidade em ler alguma obra do Francisco Moita Flores e, quando este livro foi lançado, acabei por o comprar pouco tempo depois. No entanto, acabou por ser passado para trás e só este verão lhe peguei, o que já me valeu umas valentes ganas porque agora quero ler todos os seus livros (de ficção, pelo menos)!

A história revolve em volta da personagem de Manuel Alcanhões, um taberneiro simples e honesto de Lisboa do Século XIX, num período muito particular da nossa história: o tempo de Diogo Alves, o assassino do Aqueduto.
Muito além de um policial ou thriller, pois desde o início se sabe quem é o assassino, a focalização da historia passa pela envolvente política e social da época, acabando por explicar o porquê de certas situações, inclusive o que levou Diogo Alves a matar indiscriminadamente. Claro que as razões psicológicas no seu âmago ninguém as consegue ou conseguirá explicar, pois a mente de quem mata não tem explicação nem razão.
É, então, através dos olhos de Manuel que vemos a sociedade de outrora - o rebuliço político e a inconstância, as desigualdades sociais com a nobreza detentora de todo o poder e riqueza e a pobreza extrema da maioria da população, os credos enraizados levando ao medo da mudança, a vontade de ser mais e o amor, pois que o amor pode surgir e vingar em tempos conturbados. E de todos os aspectos contemplados neste livro, houve um que logo me agarrou e que, pelo menos para mim, explica toda a história e dá um sentido à realidade daqueles tempos - o analfabetismo.
Manuel de Alcanhões, tal como a grande maioria da população da época, era analfabeto e o seu maior sonho, sonho de homem simples, era o de saber ler e escrever. Uma triste realidade que terminou, ainda que não totalmente, há muito pouco tempo. Sempre ouvi dizer que "quem não sabe é como quem não vê" que, neste caso, é proporcional ao "não sabes ler, logo não sabes nada, logo não tens opinião, logo não podes mudar a situação em que te encontras". E era mesmo isto que acontecia. 
Sempre presente, apesar de tudo, uma história de amor tão bonita e forte, exactamente como o amor deve ser, entre Manuel e a sua Isabel. Sempre unidos, a âncora e o porto de abrigo um do outro, livres de convenções numa época de ideais distorcidos.
Sinceramente, fiquei encantada com cada pormenor aqui retratado. A história é formidavelmente contada e, apesar de contar com episódios mais negros, a leitura não se torna pesada nem tenebrosa. Vamos encontrando diálogos de pessoas reais, passagens com humor e amor verdadeiro, chegando ao final com a ideia de que tiveste nas mãos uma janela para o passado.

Adorei cada linha de cada página e Francisco Moita Flores tornou-se para mim um autor do coração.

1 comentário:

  1. Olá Andreia,
    Gostei muito da tua opinião.
    Já li vários livros do autor e gostei bastante. Este ainda não li.
    Beijinhos e boas leituras

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